Pacífico
Ouça-me, amigo. Tempos como este não haverão mais. Ele não costuma retornar, dar meia-volta e perguntar se você disse alguma coisa. Pouquíssimo educado, para dizer o mínimo. Você quer voltar, mas para onde? Para quando? Discronometria é o seu problema!
Eu sei o que você quer. Quer ser alguém além de si mesmo, talvez uma bela história contada a respeito de si, editando como lhe apraz. Você espera pelo momento certo, o vento de boa temperatura, e fechar os olhos em despreocupação. Mas há muito o que se preocupar se tudo depende de você e, pretensiosamente, te portas como deus.
O som do rádio ligado às quatro da manhã, a voz antiga carregada de saber que se reclina lentamente para ouvir melhor, contar uma história ou ensinar com um vagar solene. Isso! Conversas solenes! Aquela solenidade dos profundos! Isso mesmo! Liturgias do tempo, que pedem pausa, um pouco mais de paciência, seria tão bom.
Nadar contra a maré pode ser difícil. Faça o seguinte: nade pela lateral, dê a volta; você não chegará lá se enfrentá-la de frente. Seja fraco, mas seja inteligente. Não se iluda assim tão fácil. Sua esperança ainda precisa durar por um pouco mais de tempo.



Uau, perder-se no tempo que não volta, e nem viver o presente, e perder-se de vez. Melhor nadar pelo lado e seguir contemplando.